
Como é ser em DevRel em uma Startup
Toda startup é diferente, não tem playbook, mas o principal é entender que você precisa agir rápido para sobrevier numa área onde os resultados são colhidos de forma lenta. E a empresa precisa descobrir o que funciona antes do dinheiro acabar.
O principal ponto para um Dev Advocate não é fazer com que as pessoas se apaixonem à primeira vista por uma marca, mas é fazer um relacionamento saudável a longo prazo, um casamento. Sabe quando você conhece alguém e a pessoa já começa a fazer planos? Não pro fim de semana, pro Natal. Mesmo estando em junho. Alguém que olha pra frente e te inclui lá. Que quer saber se você vai estar lá quando for importante. É disso que estamos falando.
90% das startups falham (Failory, 2026). Startups tendem a falir por um motivo. Relacionamentos com pessoas desenvolvedoras tendem a durar. Principalmente quando você está falando de uma marca nova, B2B, tentando se provar no mercado brasileiro.
Uma pessoa desenvolvedora não é um consumidor final, ela não vai ver o seu produto como um hambúrguer que simplesmente vai na esquina e compra, ou como uma assinatura de uma IA sofisticada que pode já começar a usar. Você não pega seu martelo só porque lembrou que ele existe. Você não sai andando com martelo por aí achando legal. Você pega quando precisa.
Ser empresa com foco em pessoas desenvolvedoras significa que o máximo que vai conseguir é estar na caixa de ferramentas delas. A empresa talvez entre na caixa de ferramentas. E fica lá. Esperando. Até o dia que precisarem.
E sim, precisa constantemente lembrá-las que existe. Que resolve isso e aquilo. Precisa lembrá-las do quão brilhante, do quão útil, prático sua marca é. Quando precisarem, se fizer um bom trabalho de ser acolhedor, de estar presente, de não ser chato, vão indicar você pros gestores. Uma pessoa desenvolvedora pode escolher toda uma stack baseado somente na forma como foi tratada, seja pela empresa, seja pela comunidade.
Mas aqui está a verdade incômoda que ninguém fala: DevRel em startup não é sobre criar a comunidade perfeita. Não é sobre fazer os eventos mais numerosos. Não é sobre ter as métricas mais impressionantes no curto ou médio prazo, sobre ser super acolhedor o tempo todo. No fim do dia, o principal – e não estou dizendo que é o mais importante, não estou desmerecendo os outros itens – é validação do produto. É a sobrevivência.
Startups tendem a falir por um motivo. Relacionamentos com pessoas desenvolvedoras tendem a durar por outro. E parte do seu trabalho é fazer com que esses dois fatos se conectem: você precisa passar a mensagem de que a empresa vai durar e se encarregar de fazer ela durar. Não com promessas vazias, mas com presença constante, com escuta real, com produto que valida o que você diz e que estará disponível no mercado daqui cinco ou dez anos. Porque no fim, se você não acredita que vai estar lá quando for importante, por que alguém acreditaria?
Não me entenda mal. O desafio é ótimo. Mas na maior parte do tempo não estamos falando de adesão: estamos falando de validar o produto. Validar aquela ideia para que no fim possa ou ir atrás de mais investimentos ou de fato investir no que está sendo feito.
Quanto mais cedo você e sua empresa identificarem o verdadeiro entregável para quem desenvolve, mais cedo colocar na comunidade o que está sendo feito, mais ouvir feedbacks estruturados, melhor vai ser seu trabalho.
Dica pessoal: Algumas partes do produto tornam a criação de conteúdos, demos e apresentações mais fácil que outras. Geralmente são essas que valem seu tempo. Isso funciona como métrica excelente pra entender o que é vendável, pois costuma estar diretamente ligado ao sentimento do feedback que você recebe.
Lembra do martelo? Você não força ninguém a pegar o martelo. Você só precisa validar que ele resolve o problema certo. E garante que, quando a pessoa precisar, ela sabe que funciona.



