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Burnout, pela segunda vez

Burnout, pela segunda vez

#burnout#pessoal
por vítor norton, em 13/04 às 00h00

Burnout, pela segunda vez

Quando fui diagnosticado e me deram 14 dias de folga eu fiquei desesperado por não ter nada para fazer nos próximos 14 dias, aliais, mais tempo ainda se for contar os fins de semana.
Virei a noite procurando no Google o que fazer. Planejei possíveis viagens, me tornei um expert em cruzeiros marítimos mesmo odiando a ideia de mar. Pesquisei cada um dos eventos que iria acontecer em São Paulo neste período de tempo e não achei nada remotamente interessante. Pensei em fazer algum curso, fora da minha área claro, algo mais manual, confeitaria, crochê até artes marciais. Nada. Não achei nada, e comecei a ficar desesperado.
Comecei então a pensar em tudo que eu gostaria de fazer quando não podia, cinema, streamings, passear no parque. Criei uma pequena lista, e aqui estou eu, duas semanas depois pra dizer que: não fiz nada daquilo.
Passar duas semanas sem fazer nada, foi num piscar de olhos. Não me sinto nem um pouco preparado para começar a trabalhar segunda, e esse sentimento é devastador.
O processo de recuperação de um diagnóstico de burnout pode ser desafiador e muitas vezes leva mais tempo do que as folgas que foram prescritas inicialmente. É difícil se sentir pronto para voltar ao trabalho quando ainda se está lutando para se recuperar completamente. No entanto, muitas vezes, as demandas do trabalho nos forçam a voltar antes de estarmos prontos. É importante lembrar que o burnout não é uma fraqueza pessoal, mas sim um sinal de que é preciso cuidar da saúde mental e física para evitar o agravamento dos sintomas. É fundamental buscar ajuda profissional e fazer as mudanças necessárias para evitar a recorrência do burnout.
Bom, eu já estava preocupado em precisar tirar outra folga por conta do burnout, mas minha psiquiatra me alertou sobre algo ainda pior: se eu precisar de mais dias, vou ter que depender do INSS para me pagar. E, como sabemos, as regras de trabalho no Brasil são uma loucura, então isso significa que eu não vou receber o meu salário normal e sim uma porcentagem dele. Isso pode me colocar em sérias dívidas e me levar a um ciclo interminável de trabalho para pagar essas dívidas. É um pesadelo pensar nisso, porque já estou lutando para me recuperar do burnout, e a possibilidade de me endividar só piora tudo.
Mas aqui estou, alguns meses depois, e a jornada para se recuperar do burnout foi uma montanha-russa de altos e baixos. Eu me pegava querendo pular de volta para a rotina normal, mas logo percebia que estava me cobrando demais. Era difícil aceitar que precisava recomeçar do zero e ir com calma, como um bebê que aprende a andar. Afinal, quem tem tempo para ir devagar em um mundo que parece estar sempre correndo?
Uma das coisas mais difíceis foi lidar com a pressão de fazer exercícios físicos, já que isso pode ajudar a combater o burnout. Mas, ao me cobrar demais, percebi que estava apenas piorando a situação. Então, precisei me permitir recomeçar lentamente, incluindo aos poucos atividades na minha rotina novamente. E, claro, muita terapia ao longo do caminho.
Não vou mentir, ainda não estou 100%, mas estou em um caminho muito melhor. Aprendi que é preciso paciência e gentileza consigo mesmo para superar essa montanha-russa. E, agora, me sinto mais forte do que nunca para lidar com os altos e baixos da vida.