Blog
abr 22

#UmAnoAtras – Primeiro dia nos EUA

A ideia deste blog não é para que eu conte mentiras ou oculte o que eu tenho feito. É para contar a verdade nua e crua, doa a quem doer, queira ou não queira saber e se importe ou não. Mas já que é para ser sincero, confesso. Ficava (se não ainda fico), com muita, muita, muita (perceba que eu enfatizei bem o muita) inveja de quem fica viajando para a América do Norte ou qualquer outro lugar. A inveja diminui na hora que vejo eles voltando, idiotas, tiveram a chance de viver o sonho americano e voltaram. Tudo bem que eu também voltei, mas eu voltei apenas para dar um alivio para quem estava com inveja de mim (não por medo de estar em um lugar completamente estranho e sozinho, isso não tem nada haver).

O fato é que finalmente estava realizando um sonho. E é aqui que eu geralmente erro. Não, não é um sonho, vários sonhos de uma única vez. Sorte? Não! Fazer por merecer!

Avião, foi tão corrido chegar nele!

Lembro que, na volta do Rio de Janeiro para Cachoeiro de Itapemirim, seis horas de ônibus, tive muito tempo para pensar, e eu pensei. Pensei que uma viagem de avião seria bem mais confortável que ônibus e comecei a listar os fatores, no total foram 20 pontos em que o avião é melhor que o ônibus. Não, não era a minha primeira vez em um avião, isso foi culpa da ansiedade. Ok, não vou falar de viagens de avião, isso é para outro post.

Eu estava preocupado, mal tinha saído das terras brasileiras e já estava preocupado, seria dez horas de voo nas quais eu não iria dormir. Eu teria entorno de uma hora para sair do avião, passar pelo processo de alfandega, pelo processo de imigração e claro, achar aonde estaria o meu próximo voo no maior aeroporto do mundo, o aeroporto de Atlanta, GE. Eu consegui passar por esse processo tranquilo. Não! Tranquilo não! Sai da raio-x, que é muito mais invasivo que o nacional e para o guichê de informação querendo saber onde é o meu voo, que por milagre do destino, era a poucos passos dali, e já estava chamando o meu nome. Fui correndo para o portão, somente lá que eu parei e amarrei o tênis, coloquei o cinto, blusa e óculos, até o presente momento, foi, literalmente, corrido.

5 horas de voo depois, chego a Seattle, claro que já entando visualizar o campus da Microsoft pela janela. Cheguei, desembarquei, sai correndo atrás da minha mala, e encontrei o Erick.

O Erick, russo, mas principalmente, motorista de uma limu. Tenho que confessar que não tive nem condições de aproveitar a limusine, estava tão, tão, tão cansado que eu só queria chegar no hotel. Mas foi legal ver o meu nome em uma plaquinha e ter um motorista me esperando. Ahhh, doces lembranças, queria que fosse assim todas as vezes que eu saísse de um aeroporto. Fui a cara da riqueza, não porque eu quis, mas porque eu estava tão cansado, foram dez horas de voo das quais eu não dormi, mais 5 horas de outro voo que eu também não dormi. Eu simplesmente não estava me importando, e o fato de não estar me importando me fez perceber que eu estava a cara da riqueza.

Sonhos se realizam, mas é o trabalho duro que faz com que ele aconteça.

E aí vem a parte deliciosa da história: a cama do hotel. Nossa, que cama! Deitei, relaxei. Levantei, fui colocar meu celular para carregar [havia morrido dez minutos antes de chegar em Seattle], e: a tomada era diferente. Eu acreditava que ser ansioso prestasse para algo e fizesse você prever alguns problemas, aparentemente esqueci que a tomada lá fora é diferente do padrão brasileiro. Não acredito, eu cansado como estou, não vou poder dormir, e sim teria que sair e comprar um adaptador de tomada. Mas aonde?

Levanto, saio do quarto, coloco o meu pé para o lado de fora do hotel, quando ouço uma voz me chamando: “Espere! Na hora que você voltar têm um pacote de presentes de boas-vindas para você.”. Havia a palavra presentes, e eu amo coisas grátis. Por um momento esqueci do meu celular, e peguei o presente. Ali mesmo conheci uma das 9 outras pessoas que embarcariam na viagem comigo, a Kimberly. Rapidamente nos entendemos bem, e enquanto esperava ela fazer o check in no hotel, fui até o quarto e abri a minha sacola de presentes. Lá existiam coisas maravilhosas, e tudo o que eu precisava na hora: uma garrafa de água (no hotel era extremamente cara e já eram 14 horas local (mais 4 horas de fuso) e eu não havia tomado água antes), um power bank, um acordo de confidencialidade, uma carta de boas-vindas,  um cronograma do que seria os próximos dois dias, e principalmente: um carregador universal de tomadas. Meu celular ressuscitou.

Percebe Ivanir, a competência de empresa em pensar em todos os detalhes?

Curtindo o momento em uma das praças de Redmond, WA

Desci e encontrei com mais dois, um da Índia e um da República Checa, e fomos comer no Subway, afinal de contas, até o presente momento, não havia comido nada e havia esquecido completamente que o meu corpo precisava de algo a ser ingerido que não fosse água.

Ficamos ali, na praça, no centro da cidade. Estávamos sozinhos,  conversando sobre o que seria os próximos dias, as diferentes culturas do mundo, e principalmente, a incrível semelhança com “A Fantástica Fábrica de Chocolates”.

Uma vez no hotel, apaguei. Acordei somente no dia seguinte. Nem coloquei despertador, sabia que minha ansiedade e o fuso horário iriam me acordar na hora certa. Se eu tinha que estar de pé as 8 horas, eu estaria as 4 horas da manhã. Bom, mas aí já é o outro dia, não vou dar spoiler da postagem de amanhã!

About The Author

I don't dream, I do a lot of things. Sou desenvolvedor Windows e Web, tenho o título de Windows Insider MVP (Anteriormente Microsoft MVP: Windows Experience). Sou escritor, programador, artista, mágico e inventor.